Coimbra  22 de Abril de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Associações de Bombeiros reclamam 2,60 milhões de euros em transportes

5 de Abril 2019

As associações humanitárias de Bombeiros Voluntários do distrito de Coimbra estão numa situação financeira grave, a ponto de não terem dinheiro para pagar os ordenados deste mês. O motivo prende-se com as avultadas dívidas que o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e a Administração Regional de Saúde do Centro (ARS) têm para com praticamente todas as associações de bombeiros do distrito.

São centenas de milhares de euros em dívida, acumuladas durante mais de um ano, que deixaram as corporações à beira da ruptura.

Ao “Campeão”, o presidente dos Bombeiros de Miranda do Corvo, Eurico Fernandes, explicou que a Associação “não pode acumular estes valores durante meses”, admitindo que “em Abril pode não haver dinheiro para pagar aos funcionários”.

“Não pode haver dívidas destes montantes a uma Associação como a nossa, que tem vencimentos, oficinas, combustível, despesas correntes, etc.; assim é impossível subsistir”, afirma o responsável, assumindo, contudo, que “os doentes continuam a ser transportados, até porque caso contrário seriam eles os mais prejudicados”.

À Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Miranda do Corvo (AHBVMC) a dívida do CHUC e da ARSC ascende aos mais de 130 000 euros (cerca de 110 000 pertencem ao Hospital de Coimbra), sendo que a corporação não recebe qualquer pagamento desde Outubro por parte daquela unidade hospitalar e, em 2019, também não receberam o valor em falta por parte da ARSC.

Na Associação Humanitária do Bombeiros Voluntários de Condeixa-a-Nova (AHBVC) a situação é idêntica. Gustavo Santos, presidente, admite que “este é o último mês em que há dinheiro para pagar aos funcionários”, antevendo, contudo, que a situação “não fique resolvida” neste espaço de tempo.

“O pagamento das dívidas dava-nos um alento muito grande, porque não recebemos nada há um ano e o valor é já bem mais do que 100 000 euros”, notou ao garantir que “os transportes vão continuar a ser realizados, porque os mais penalizados seriam os doentes”.

“Resta-nos esperar que possa vir algum dinheiro”, disse o responsável.

As associações têm, insistentemente, enviado e-mails na tentativa de recordar ambas as entidades para as dívidas em causa, mas nunca obtiveram resposta. Recorreram, por isso, à Federação dos Bombeiros do distrito de Coimbra, na esperança de que a situação possa ficar resolvida.

Após reunião entre as corporações e a Federação dos Bombeiros apurou-se que as dívidas ascendem “a mais de 2,6 milhões e meio de euros”, revelou ao “Campeão” o presidente da Federação, Fernando Carvalho.

A entidade entrou em contacto com ambas as instituições devedoras que, após negociações, “se comprometeram a saldar parte da dívida”. Não sabendo ainda com certezas o montante, Fernando Carvalho teve a garantia por parte do CHUC e da ARSC que haveria “pagamentos durante este mês todas as corporações de bombeiros do distrito”.

A Federação dos Bombeiros e as corporações esperam, agora, que tal compromisso seja cumprido, sob pena de terem de tomar outras medidas.