Coimbra  24 de Março de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Assédio sexual em grande escala no contexto académico de Coimbra

23 de Maio 2018

Um estudo realizado pela UMAR Coimbra sobre a violência sexual em contexto académico revela que 94,1 por cento das mulheres inquiridas já foram alvo de assédio sexual, 21,7 por cento de coerção sexual e 12,3 por cento reportaram já terem sido violadas.

Cerca de um terço das mulheres que responderam ao inquérito da UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta referiram que já foram vítimas de ‘stalking’ (perseguição) e cerca de metade já tiveram contacto sexual não consentido, revela a nota de imprensa da organização enviada à agência Lusa.

O estudo da UMAR Coimbra, que é apresentado hoje, pelas 18h00, no anfiteatro III da Faculdade de Letras, refere, ainda, que 14,4 por cento das mulheres inquiridas já sofreram “pelo menos uma tentativa de violação”.

Questionadas sobre a percepção de segurança em espaço público, 53 por cento das mulheres elegeram como principal receio para andarem sozinhas na rua o medo de sofrerem “um ataque sexual”, enquanto os homens que responderam identificaram como “principais motivos o receio de sofrer um assalto”.

O estudo realizado pela UMAR Coimbra, no âmbito do projecto CAMI – Capacitar para Melhor Intervir Localmente, foi feito com dados obtidos entre Junho e Julho de 2017, através de um questionário “disseminado online”.

A amostra válida do estudo é constituída por 518 respondentes, sendo 79 por cento mulheres, 85,5 por cento na faixa etária entre os 17 e os 34 anos e a grande maioria frequentou ou frequenta a Universidade de Coimbra (77,8 por cento).

“Em todas as categorias de experiências sexuais indesejadas analisadas, a grande maioria das mulheres inquiridas reportou ter sofrido estes comportamentos por parte de indivíduos do género masculino, nomeadamente parceiros íntimos, ex-parceiros íntimos, docentes, conhecidos e superiores hierárquicos ou colegas”, refere a UMAR.

A organização sublinha que, “nos últimos anos, foram identificadas, formal e informalmente, várias situações de violência sexual e assédio sexual entre pares no contexto académico”, sendo que “continua a não existir uma noção real da prevalência da violência sexual e do assédio sexual no meio académico em Coimbra”.