Coimbra  23 de Outubro de 2018 | Director: Lino Vinhal

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Assassinato na Avenue: MP preconiza pena máxima para homicida

11 de Maio 2018

O Ministério Público preconizou, hoje, uma pena de 25 anos de prisão para um jovem acusado de matar um homem, com vários tiros, à porta de uma discoteca de Coimbra (a Avenue).

Na fase de alegações, uma procuradora defendeu como adequada a pena máxima para Júnior Souza, mas a defesa considerou tratar-se de uma “punição exagerada”.

O arguido, 22 anos de idade, “quis matar” Ismael Soares, disse a magistrada do MP, frisando que o atirador também quis “ofender corporalmente” a namorada da vítima mortal do incidente.

A procuradora salientou que o principal arguido do processo revelou “uma personalidade agressiva” e intenção de “causar sofrimento” ao falecido e à respectiva companheira.

A representante do Ministério Público, citada pela Agência Lusa, sugeriu uma pena de cinco anos de cadeia para a namorada do homicida, a qual era possuidora de uma soqueira com que agrediu a gerente do referido estabelecimento de diversão nocturna.

“Tenho a certeza de que o arguido está arrependido”, disse aos jornalistas o advogado João Palmeirão.

Do ponto de vista do causídico, “toda a acusação” foi concebida pela Polícia Judiciária “com base em três depoimentos diferentes” e contraditórios prestados pela testemunha que conduziu a viatura de onde Júnior Souza terá disparado.

Para mostrar arrependimento, “não preciso de estar aqui chorando, fazendo palhaçada”, afirmou o principal arguido ao ser interpelado pela presidente de um colectivo de juízes.

Júnior Souza foi capturado, em Vigo (Galiza, Espanha), volvidas duas semanas e meia sobre a data do crime, pela Polícia Nacional de Espanha, em cumprimento de um mandado de detenção europeu, emitido pelo Ministério Público (através do DIAP de Coimbra), tendo ela contado, para o efeito, com a colaboração de elementos da Directoria do Centro da PJ que se deslocaram ao país vizinho.

O indivíduo, de nacionalidade brasileira, é suspeito de ter abatido a vítima com nove disparos de arma de fogo, ao início da manhã do dia 08 de Janeiro de 2017 (pouco antes das 08h00), quando a discoteca já tinha encerrado.

A vítima, Ismael Soares, com cerca de 30 anos, natural da Guiné-Bissau, fazia habitualmente serviço de segurança na discoteca Avenue, na avenida de Afonso Henriques, em Coimbra, no exterior do qual se verificou o tiroteio.

O arguido agiu com requintes de malvadez, segundo a acusação deduzida pelo Ministério Público.

Solteiro, desempregado, filho de uma mulher que trabalhou na indústria hoteleira, Júnior Souza possui cadastro por tráfico de droga e por uma quezília, ocorrida, em Setembro de 2013, na praça da República (Coimbra).

O indivíduo, que terá coagido um cúmplice do cometimento do crime, está acusado de haver efectuado, pelo menos, 14 disparos na direcção de Ismael Soares.

Um segmento da peça acusatória alude a “circunstâncias que revelem especial censurabilidade ou perversidade”, porquanto o alegado assassino voltou ao local do homicídio, depois de ter feito dois disparos, e, por motivo fútil, consumou o crime com vários tiros.

Além de ter ignorado a namorada da vítima, Elida Brito, que suplicou ao arguido para não assassinar Ismael Soares, Júnior Souza ordenou a um amigo, que o conduzia de automóvel, para passar por cima do cadáver do cidadãos guineeense.

A pessoa que terá sofrido coacção para se tornar cúmplice do cometimento do homicídio manifestou desejo de procedimento criminal contra o indivíduo brasileiro.

Segundo a acusação, coube à mãe do alegado assassino e ao companheiro dela lançarem a arma do crime para o leito do rio Mondego (no segmento compreendido entre a estação ferroviária de Coimbra – A e a ponte-açude).

Por ter auxiliado o arguido na fuga que ele empreendeu para Espanha e devido a cumplicidade no desaparecimento do referido revólver, o companheiro da mãe do indivíduo brasileiro está acusado de autoria de um crime de favorecimento pessoal.

O dono do revólver emprestado ao alegado assassino está acusado de posse de arma proibida.

Os primeiros tiros ocorreram a partir de uma viatura em andamento, mas o alegado homicida fez questão de regressar ao local e efectuou novos disparos sobre a vítima (quando esta já estava em agonia).

O crime ocorreu após uma altercação no interior do estabelecimento entre a gerente da discoteca e uma cliente, namorada do indivíduo brasileiro.

Ismael Soares interveio para pôr termo à situação e expulsar a referida cliente da Avenue.

Tratou-se de uma cena canalha, ilustrativa da inadmissível violência que prolifera a coberto do egoísmo assente no lastimável desprezo pela vida humana.

Desde a ocorrência do assassinato, as autoridades portuguesas estavam em contacto com polícias internacionais para evitar a eventual fuga do presumível homicida para o Brasil.

 

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