Coimbra  23 de Outubro de 2018 | Director: Lino Vinhal

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APPACDM de Coimbra aposta nas novas tecnologias para integrar utentes

17 de Maio 2018

“Explor´House” ou “siosLife” são duas das aplicações tecnológicas em que a Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) de Coimbra tem vindo a apostar para promover a socialização, integração e comunicação dos seus utentes.

A utilização das novas tecnologias tem sido uma clara aposta da instituição, nomeadamente, no Centro de Actividades Ocupacionais (CAO) de S. Silvestre, onde se encontram adultos com deficiência mental.

“Existe muita inovação ao nível das novas tecnologias, mas não para a deficiência mental”, afirma Helena Albuquerque, presidente da APPACDM de Coimbra. “Colmatar as deficiências físicas é mais fácil, há uma maior variedade de ferramentas tecnológicas que ajudam, mas no caso da deficiência intelectual é mais complicado, é muito difícil colocarmo-nos no lugar deles e, por isso, estas tecnologias que aqui aplicamos suprimem algumas das dificuldades que os utentes têm no seu dia-a-dia”, esclarece a responsável.

A instituição foi procurar no mercado o que existia e, apesar de ter encontrado algumas aplicações interessantes (como a “siosLife”, destinada a idosos), decidiu criar a sua própria aplicação, visando somente os deficientes mentais, desde os mais ligeiros aos profundos. Nasceu, assim, e em parceria com o Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC), a aplicação “Explor´House”, que visa ajudar os utilizadores nas suas tarefas diárias do dia-a-dia, obrigando-os a “jogar” o jogo e, assim, adquirir essas competências.

Todas as salas do CAO de S. Silvestre estão, agora, equipadas com um tablet, onde os utilizadores interagem com estas tecnologias, que funcionam à base de vários jogos interactivos e educativos, que abordam temáticas como o português, matemática, as cores, o quotidiano, as formas, etc.; além de terem acesso ao mundo virtual, ligando-os a familiares e amigos, designadamente através da redes sociais como o Facebook.

A instituição tem vindo a apostar neste tipo de ferramentas e o balanço é bastante positivo. “Temos notado uma grande diferença na qualidade de vida dos utentes, nomeadamente, na aquisição de novas competências: motoras, cognitivas, de comunicação e interacção, etc.”, explicou Ana Mendes, terapeuta responsável pela aplicação dos vários projectos em curso.

APPACDM quer produzir conhecimento para que outros o possam utilizar

A outro nível, mas sempre com o objectivo de melhorar a vida destes cidadãos e integrá-los na sociedade, tornando algumas tarefas mais acessíveis, está um projecto de uma impressora 3D, realizado em parceria com a empresa Sleek Lab (Penela), no qual são produzidos produtos auxiliares para várias tarefas do dia-a-dia, na própria instituição. Por exemplo, uma ferramenta que ajude a que os utentes mais facilmente peguem numa colher para comer ou nas chaves para abrir a porta.

Este projecto foi premiado pelo BPI Capacitar, que lhe atribuiu 50 000 euros para ser desenvolvido durante um ano.

“Temos investido bastante em programas que estimulem os nossos utentes cognitivamente, que é a área mais difícil; programas que mantenham o cérebro activo e os façam pensar, mexer-se, socializar, interagir e ser mais autónomos”, adiantou Isabel Cruz, responsável pelo CAO, sublinhando que “estas ferramentas são uma janela para o mundo, abre-lhes acesso à informação e a contactos, além de permitirem que se sintam incluídos na comunidade”.

“A ideia não é fazermos só para nós, mas também produzir e divulgar para que outros (nomeadamente instituições de apoio à deficiência) possam também ter acesso a estas ferramentas, mediante as dificuldades que cada um tenha”, concluiu Helena Albuquerque.

A aplicação criada pela APPACDM “Explor´House” está disponível gratuitamente na PlayStore e está já a ser aplicada noutras instituições.

Produtos impressora 3D

 

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