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Antártida: Escolha do futuro na ordem do dia, adverte a UC

14 de Junho 2018

Oceano Antártico (fotografia de José Xavier)

 

Mudanças na região antártica vão ter consequências no resto da Terra, advertiu, hoje, a Universidade de Coimbra, cujo docente José Xavier é co-autor de um artigo da revista Nature.

As escolhas feitas na próxima década vão certamente afectar a Antártida e, a longo prazo, o planeta, revela um estudo divulgado pela conceituada revista.

Os autores, todos distinguidos com o prestigiado prémio Tinker-Muse para a Ciência e Política na Antártida, são especialistas em diversas disciplinas científicas, incluindo biologia, oceanografia, glaciologia, geofísica, ciências climáticas e política.

José Xavier, docente do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC e investigador do Centro de Ciências do Mar e Ambiente (MARE), conquistou tal prémio, em 2011, e é o único cientista português a intervir na redacção do artigo.

O estudo põe em contraste duas narrativas sobre o futuro da Antártida. Na primeira, as emissões de gases de efeito de estufa continuam a aumentar, o clima prossegue na senda de aquecimento e as acções políticas são poucas para responder aos factores sociais e ambientais.

Neste contexto de elevadas emissões, a Antártida sofrerá mudanças rápidas por toda a região, com consequências no resto do mundo: em 2070, o aquecimento causou o degelo e acelerou o aumento do nível global do mar, alterou os ecossistemas marinhos e o crescimento ilimitado do uso humano na Antártida degradou o ambiente e introduziu pestes invasivas.

Na segunda narrativa, acções ambiciosas são adoptadas para limitar as emissões dos gases de efeito de estufa e há lugar a políticas para reduzir a pressão antropogénica no ambiente, abrandando a taxa de mudança na Antártida.

Neste contexto de baixas emissões – acções rápidas e efectivas para a redução de emissões de gases e implementação de políticas para minimizar mudanças –, as plataformas de gelo mantêm-se intactas, há um abrandamento da subida do nível global do mar, os ecossistemas mantêm-se intactos e a pressão humana na Antártida é gerida apropriadamente.

José Xavier realça que esta pesquisa permitiu “compreender quais são as grandes ameaças, como o degelo e a acidificação dos oceanos”.

O docente e investigador da UC adverte: o que se decidir politicamente em relação ao ambiente na próxima década vai ter consequências para as gerações seguintes, sendo que, embora o tempo esteja a escassear, ainda nos encontramos em fase de agir.

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