Coimbra  21 de Março de 2019 | Director: Lino Vinhal

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A sala de aulas não está obsoleta, diz ex-governante

11 de Janeiro 2018

Miguel Tamen, António Feijó e João Filipe Queiró

 

O ex-governante, matemático e professor universitário João Queiró afirmou, hoje, em Coimbra, que “a sala de aulas não está obsoleta” (ultrapassada).

Antigo secretário de Estado do Ensino Superior, o docente usava da palavra, a par dos colegas António Feijó e Miguel Tamen, no âmbito de um debate subordinado ao tema “Pensar a Universidade”.

O evento, sob a moderação de José Bernardes, diretor da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, foi organizado pela Fundação de Francisco Manuel dos Santos, com o patrocínio da RUC e da Rádio Regional do Centro (RRC).

“Há algo de irredutível na relação professor / estudante”, considerou João Filipe Queiró, catedrático da UC, autor do ensaio “O ensino superior em Portugal”.

Feijó e Tamen, professores da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, são co-autores de outro ensaio, intitulado “A Universidade como deve ser”.

Para António Feijó, os alunos vivem “sob uma barragem contínua”, pautada pela questão da empregabilidade dos cursos.

Segundo o orador, em cujo ponto de vista há equívocos e ambiguidades acerca da aferição da empregabilidade, a vida universitária centra-se na actividade intelectual.

Vice-reitor da Universidade de Lisboa, Feijó entende que o ensino superior deve apetrechar para a aprendizagem com vista à empregabilidade.

“Sem ensino de licenciatura não há universidade”, afirmou.

Miguel Tamen disse que as “escolhas temporãs” dos alunos prendem-se com uma fantasia sobre o que vão ser as respectivas vidas adultas.

“Se um marciano descesse à Terra e tivesse sentido de humor, apreenderia um conjunto de incongruências”, opinou.

João Queiró advertiu que “a gigantesca dívida pública tem feito muito mal ao ensino superior português”, havendo gracejado que as circulares da Direcção-Geral do Orçamento estão no topo da hierarquia das normas.

“Há um poder esmagador do Ministério das Finanças”, advertiu o ex-secretário de Estado do Ensino Superior (primeiro Governo de Pedro Passos Coelho).

Para o orador, a apologia do regime fundacional visou subtrair as universidades ao espartilho do Ministério das Finanças.

O antigo secretário de Estado preconizou “modelos de governação” do ensino superior em que seja possível responsabilizar os gestores e Miguel Tamen opinou que a vocação dos docente não consiste em gerir.

Adverso ao regime fundacional, Ernesto Costa, membro do Conselho Geral da UC, defendeu o funcionamento das universidades sob um figurino de regulação.

Ao invés, Feijó e Tamen consideram que há, em geral excesso de intrusão do Estado na vida universitária.

Rui Marcos, director da Faculdade de Direito de Coimbra, afirmou entender que cabe aos universitários “apressarem-se lentamente” a fim de haver espaço para reflexão. “Frequentemente, as ideias novas são ideias velhas de que já nos tínhamos esquecido”, concluiu.